PAI NOSSO, PAI MEU!

 

Antes da vinda do Senhor, a idéia de Deus ser pai de um indivíduo era algo muito estranho.
Para os judeus do Antigo Testamento, Deus era no máximo "Pai da nação de Israel", ou seja, o
Criador da nação de Israel, mas nunca "meu pai". Era muito íntimo, era muito próximo, era
blasfemo se identificar com Deus, assim, dessa forma.


No Antigo Testamento não existem referências a Deus como pai de um indivíduo só.
Ninguém no AT ousou usar o termo "Pai" ao dirigir-se a Deus. Por isso não encontramos tais
referências nos Salmos, nos profetas, ou nas narrativas dos Patriarcas.


E fazendo uma releitura dos Evangelhos, a impressão que se tem é que o Senhor evitou
referir-se a Deus como Pai na presença de estranhos. Jesus só usava o termo Pai na companhia
de pessoas mais próximas. E quem sabe, talvez, por ser considerada uma blasfêmia que alguém
se chamasse de filho de Deus, nós vamos perceber que Deus fez questão de bradar do alto que
"Jesus era o Seu Filho amado". Isso aconteceu em duas ocasiões chaves: em seu batismo - antes
do início do seu ministério - e no monte da transfiguração - onde ali, também, recebeu
testemunho da Lei (Moisés) e dos profetas (Elias).


Sabemos que a revelação de Deus foi progressiva. O Senhor foi Se revelando aos poucos, no
decorrer da história, de Gênesis a Apocalipse. E a revelação que Deus havia nos dado no AT
era, na sua maioria, acerca da Sua essência e não da Sua identidade. Foi Jesus quem nos revelou
a identidade de Deus. Foi Jesus quem nos revelou que Deus era Pai. O Pai nosso. O Pai que,
também, é meu. Íntimo, particular, próximo, acessível. É aqui onde encontramos uma das
principais diferenças do cristianismo em relação às outras religiões monoteístas. Nós somos os
únicos que, ao nos aproximarmos de Deus, nos aproximamos chamando-Lhe de Pai!
Não é pouca coisa o nosso privilégio de chamá-lo assim. Isso custou tudo o que Deus tinha de
mais precioso! Sem Jesus não seria possível conhecer a Deus como O conhecemos.
E um detalhe precioso. Nos Evangelhos percebemos que o Senhor, todas as vezes que se
dirigia a Deus, dirigia-se a Ele chamando-Lhe de Pai. De forma direta ou indireta, todas as vezes
que Jesus se dirigia a Deus, ele Lhe chamava de Pai. Chegaram a contar quantas vezes Jesus
usou o termo "Pai", e o número aproximado é de 270 vezes.


Mas uma só vez, apenas uma só vez o Senhor não fez uso do termo "Pai" ao se dirigir a Deus, e
isso aconteceu na cruz do Calvário. Ali, Jesus em alta voz, disse: "Deus meu, Deus meu, por que
me desamparastes?".

E eu pergunto a você: Por que Deus, na cruz, o abandonou? Por que Deus abandonou o Seu
único e amado Filho? Porque se não, Ele teria de ter abandonado a você. Naquele momento,
ou Ele abandonaria a Jesus, ou te abandonaria.

Para que Deus pudesse ser Pai na sua vida, Deus teve que ser Deus na vida do Filho! Ali, na
cruz do Calvário, Jesus trocou de lugar com você para que Deus Pai pudesse te chamar de
filho(a). Para que Deus não tivesse que ser Deus sobre a sua vida, Deus teve que ser Deus sobre a vida de Jesus, e assim, fazendo possível a sua adoção.

Não é pouca coisa o nosso privilégio de sermos chamados de filhos de Deus! Custou tudo o
que Deus tinha de mais precioso... Ele deu tudo pra poder ouvir dos seus lábios e do seu
coração: "Aba... Pai".

 

Juliano Son
Ministério Livres para Adorar
(Trecho da mensagem pregada na abertura do Adoremos, na última sexta, dia 08)

 


Fonte: Boletim Interno

 

 

 

 

 

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